Freakonomics (Steven Levitt e Stephen Dubner)

“Por que o senso comum esta tão frequentemente enganado? Como ‘especialistas’ – de criminologistas a agentes imobiliários a cientistas políticos – moldam os fatos? Por que saber o que medir, e como medir, é a chave para entender a vida moderna?” São essas algumas das perguntas que o economista Steven D. Levitt e o jornalista Stephen J. Dubner respondem em seu livro Freakonomics – O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta (o primeiro da série).

Para isso, usam técnicas da economia moderna, como aplicar os princípios econômicos para explorar situações cotidianas e diversas, mas não falam de taxa de juros ou inflação. O próprio nome do livro, que quer dizer algo como “economia excêntrica”, revela o real propósito: Levitt tem uma linha de pensamento que se afasta da maioria dos economistas.

Com ideias simples, vão desmistificando certas crenças. Usando o método da comparação de dados, conseguem comparar cientificamente várias situações que antes eram apenas suposições, como por exemplo a redução da criminalidade em Nova York ser causada pela legalização do aborto. Aliás, a relação de causalidade e consequência é muito explorada em todos os capítulos.

Cada capítulo trata sobre uma certa temática e pretende responder uma pergunta, em geral bem inusitada. Para exemplificar o livro melhor, falarei sobre o primeiro capítulo. Esse trata da corrupção e seus causadores.

A economia é o estudo dos incentivos. Com um alegoria sobre uma pesquisa realizada em creches israelenses, Levitt discorre sobre incentivos econômicos, morais e sociais. Nessas creches, a regra bem definida era: horário de fechamento, às 4. Mas, é claro, alguns pais se atrasavam, e então pelo menos mais um profissional tinha que ficar na creche após seu expediente, o que é bem inconveniente.  Nas duas primeiras semanas, apenas observou-se a quantidade de crianças remanescentes após às 4. Na terceira semana, foi enviado às famílias um comunicado, avisando que atrasos seriam multados em 3 dólares. Então, o número de atrasos… subiu. O incentivo moral antes existente (a sensação de culpa ao chegar atrasado para pegar os filhos) foi substituído por um incentivo econômico, mas que não era forte o suficiente para fazer com que os pais acabassem seus compromissos com antecedência.

Esse microcosmos das creches exemplifica o que acontece na política, por exemplo. Comparar pesquisas, mostrando muitos dados e então chegar a conclusões brilhantes; isso numa linguagem leiga e bem fluída: essa é a fórmula de Freakonomics.

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