Lucíola, de José de Alencar

E afinal de contas, que livro romântico não tem a sua cota de clichê? Eu poderia ficar aqui dissertando sobre o amor chato de Paulo e Lúcia e toda a tempestade em copo d’água da trama, mas não me adianta nada. É romance romântico, e já se sabe o que esperar; vou é falar do que diferencia essa obra e não de tudo que é igual a tantas outras.

Peguei esse livro por sugestão de uma amiga, já tinha uma ideia sobre a trama e esperava algo além de outros romances de Alencar como Diva e Senhora. A  prostituta, ainda que virgem de alma, tinha potencial para ser uma heroína romântica diferenciada, e acabei resolvendo ler, mesmo eu sendo nada alencarista. E olha, admito: tem que se dar o crédito ao autor. Mesmo na partes mais obscuras da babaquice romântica, a narrativa, cheia de técnica que é, continua indo firme e forte.

Mas me pedir pra apreciar a puritanice de Lúcia disfarçada de “ousadia” do escritor, já é difícil. Coloco ousadia entre aspas porque o enredo (pensando na época do séc. XIX, claro) só choca quando se lê a resenha de trás da capa. Após alguns capítulos, fica bem claro aonde tudo vai chegar. Lúcia é pura, religiosa, frágil, submissa. Quanto ao José de Alencar fugir de certos dogmas romantistas, pois Lúcia não é virgem e Paulo aceita se relacionar com uma mulher como ela, já vimos isso antes. Prefiro uma Aurélia, que pelo menos é forte.

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