O Sr. Morris Lessmore e os apocalípticos

Aí que esse curta de animação, The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore, tem sido bastante comentado. Até ganhou Oscar e não sei mais o quê. Escrito e codirigido pelo ex-animador da Pixar William Joyce, não foge em nada do jeito Pixar de animar, mas até que é bonitinho visualmente. (Por isso que eu gosto da Aardman e da Blue Sky. Gente copiando Pixar me dá sono. Mas ops, fugi do assunto).

Basicamente é (mais uma) história sobre como precisamos ler livros ou nossa vida será em preto e branco. O Sr. Lessmore está lá, lendo, quando chega um furacão que arranca as letras dos livros e deixa tudo em preto e branco. Uma alusão à era digital, internet, e-books ou o que quiser. No fim o Sr. Lessmore acaba reencontrando o prazer da literatura, mesmo no meio das adversidades do tempo moderno. Mas… adversidades?

Primeiro a questão da tecnologia. Ver o Jonathan Franzen dizendo que e-books são imorais, malvados e incompatíveis com valores duradouros já preencheu toda minha cota de besteirol do mês. “Esses fanfarrões ficam aí comprando e-books, louvando o diabo e queimando cruzes com a KKK, tsc, tsc.” Poupe-me. Claro que no curta não se chega a esse nível, tudo dá certo no final e as pessoas vivem felizes para sempre. E tem até e-book interativo do Mr. Morris Lessmore pra vender. Ou seja, nada comparável ao nível franziano de insanidade e paranoia. Mas precisava dramatizar?

E depois, acho meio perigoso, além de romântico-nostálgico-chato, acreditar que hoje não se lê mais como há alguns anos. Acredito que as coisas estejam mais rápidas, mas que mania de achar que isso é ruim. Édiferente, e só.

Não gosto muito dessa ideia que o curta vende, e olha que é uma ideia clichê, que eu escuto por aí todo dia. Mas, pra ser parcial, tem um texto da Carol Bensimon que eu gosto muito e é mais realista (leiam, sério). Nostalgia, pode ser. Mas o papinho apocalíptico ta difícil de engolir.

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Uma resposta em “O Sr. Morris Lessmore e os apocalípticos

  1. Esse post me fez refletir por um bom tempo. Até que cheguei a conclusão de que concordo contigo. Nós, da literatura, estamos parecendo aqueles professores de geografia desesperados em criar nas pessoas que não são muito ligadas, um laço e convencê-las de que a leitura, “assim como a geologia”(e pode aumentar essas aspas), é essencial e que sem ela, estaremos destinados ao caos. Esse comportamento é ridículo, eu mesmo me senti envergonhado de já ter agido da mesma forma que um geólogo desesperado(sem menosprezar os geólogos). É a nossa mania de achar que se algo é bom para nós, então é bom para todos. Eu, sinceramente, não sei se as pessoas andam lendo mais ou lendo menos. Eu nem me importo, na verdade. O que me importa é que eu leio e que, enquanto sentir prazer nisso, eu continuo.

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