Auto-ajuda fantasiada

Basta olhar a lista de livros mais vendidos da Veja:  a auto-ajuda está crescendo. Só que não apenas na seção reservada a ela, mas também em ficção e não ficção. Ela foi se infiltrando, disfarçada. Os melhores exemplos da lista de 21/09/11 são A Cabana, de William Young (2º lugar ficção) e Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert (8º lugar não ficção).

Claro, auto-ajuda tem apelo, e muito. Mas a venda de senso comum barato me preocupa.

Há alguns meses eu ganhei de presente O Vendedor de Sonhos, de Augusto Cury, acabei lendo e fiquei chocada. Nem Paulo Coelho conseguiu reunir tanta charlatanisse barata junta. Muitos conselhos do tipo “conheça a si mesmo”, “não desista dos seus sonhos” e “reconheça sua ignorância”  (ah, original). Esse livro está na categoria ficção, sendo que o enredo é bem simplista, serve só de pano de fundo pra auto-ajuda. Os diálogos são incrivelmente forçados. O auge pra mim foi quando o autor se referiu aos teístas como “normais”, o que implica na versão contrária (ateístas anormais) que não é muito simpática.

Não gosto de falar mal, mas precisava desabafar. Mas em breve escreverei coisas boas: vou falar de Lolita, de Nabokov e Prólogos, com um prólogo de prólogos, do Jorge Luis Borges, só preciso de um tempinho.

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