Retalhos, de Craig Thompson

 Vencendor de três prêmios Harvey (melhor artista, melhor graphic novel original e melhor cartunista) e dois prêmios Eisner (melhor graphic novel e melhor escritor/artista), Retalhos é simplesmente arrebatador. Craig Thompson conta a sua própria história, desde criança até o final da adolescência, sua relação com os pais, o irmão, a religião, seu primeiro amor. Tudo isso de um jeito dolorosamente sincero: as formas, os traços certeiros de nanquim e até a neve que nunca acaba na pequena cidade no meio do nada transpiram a delicadeza da história a ser contada.

A puberdade de Thompson é marcada pelo temor a deus, transmitido continuamente por seus pais, e que inevitavelmente entra em conflito com seus desejos. Do acampamento da igreja com seus cultos até as aulas de ensino religioso e seus professores intimidadores, Craig se vê perdido entre dúvidas e inconsistências, incapaz de exercitar a pureza que exigem dele.

Sufocado em expectativas, acaba conhecendo Raina, uma garota leve e fluída, vivaz e impulsiva. A relação dos dois mudará as visões de Craig sobre o céu, deus e o amor.

O Craig é muito mais quadrado que a Raina – em todos os sentidos. E nas míseras duas semanas que ele passa com ela, as experiências compartilhadas são suficientes para balançar o seu mundo. Ele descobre que existe toda uma gama de outras opções entre céu e inferno. Ele descobre a sensação de compartilhar um mundo debaixo das cobertas nas noites de nevasca.

E em relação a dormir juntos: páginas e páginas são dedicadas a explicar essa sensação estranha e maravilhosa. Em mil e uma posições diferentes, pode se dizer que Craig Thompson é um PhD em desenhos de “conchinha”.

Retalhos é a arte de emocionar com uma história simples e sincera. Em suas páginas, dá pra sentir a vulnerabilidade do autor, todo entregue e aberto para ser lido.