Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá

Daytripper é uma história estelar construída do melhor jeito possível. Das ilustrações – realistas, sensuais na medida, traço firme e grosso – passando pelo arranjo das páginas – aquela disposição mais moderna dos quadrinhos, algumas cenas épicas bem posicionadas para maior dramatização – até as cores – palhetas maravilhosamente escolhidas por Dave Stewart – tudo conspira para o efeito grandioso: a celebração da vida. Vida essa que inclui muitas mortes, também devidamente celebradas.

Brás de Oliva Domingos, filho de um grande escritor brasileiro, trabalha escrevendo obituários para um jornal, sonhando com sua obra-prima. Sua vida é como um livro a ser escrito, cheio de possibilidades que vão se expondo conforme segue a narrativa. Narrativa não linear, como pede o fluxo de consciência. Cada capítulo é um novo começo de vida (o dia do seu primeiro beijo, o do nascimento de seu filho, ou o que se encontra como escritor) mas também uma morte, tratada como parte crucial do romance da vida. Nenhum livro é completo sem seu final.

 

O grande desafio da ilustração são as emoções. Grande coisa um desenho bonitinho e proporcional. Mas a profundidade dos olhos mais maduros de Brás não mente. Vê-se a alma por trás de cada traço que faz uma ruga. As ilustrações de abertura de capítulo te fazem querer chegar logo ao próximo só para admirar.

Vencedor do prêmio Eisner e mais vendido da lista do The New York Times ao mesmo tempo, Daytripper alcançou o tão difícil equilíbrio entre sucesso de crítica e sucesso de vendas. Já é um clássico das HQs – e os gêmeos ainda prometem mais.

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Resoluções e outros clichês de ano novo

Réveillion vem do francês réveiller, que significa acordar, e seja lá quem inventou essa metáfora, ela é bem inspiradora-clichê-brega. Acordai, portanto, leitores. Renascei. Saindo do mimimi: eis minha lista de resoluções literárias para este ano. Achei que seria interessante estabelecer metas, até mesmo para evitar permanecer na minha zona de conforto, e os breves comentários preconceituosos sobre os livros listados vão ser interessantes depois da leitura e eventual resenhação. Expectativas podem não ser construtivas, mas com um mar infinito de publicações por aí, somos obrigados a julgar para poder fazer escolhas.

Areia nos Dentes – Antônio Xerxenesky

Zumbis e faroeste. Precisa explicar por que desperta curiosidade? Como se não bastasse a mistura inusitada, Xerxenesky já me cativou com A Página Assombrada por Fantasmas, seu livro de contos. Promete ser um livro de passo rápido e de estrutura ousada. Veremos.

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O Velho e o Mar – Ernest Hemingway

Esse vai ser a minha introdução em Hemingway. Já está até comprado, e é uma novela bem curtinha, então não deve tardar para eu formar minha opinião. O autor me atrai pelo tão falado “culto ao simples”. Apesar de nunca ter lido nada dos autores estadunidenses da década de 30, penso que esse minimalismo literário possivelmente combina com o tipo de leitora que eu sou. Portanto, pelos mesmos motivos, tenho nutrido uma certa curiosidade por John Steinback.

Antologia Poética – Carlos Drummond de Andrade

Ano passado eu até que tentei: li um pouco de Neruda, um pouco de Pessoa. Mas poesia nunca foi o meu negócio. Pra sair da tão temida zona de conforto, achei que uma pitada de Drummond seria perfeito para me fazer adentrar nesse mundo de versos. Inteligente, mas não rebuscado. Fácil, mas genial. Leve e divertido.

 

Antes de nascer o mundo – Mia Couto

Nunca li Mia Couto e pelo que tenho lido de críticas por aí, essa é uma carência que precisa ser suprida com urgência. A  escolha desse romance é, na verdade, um tanto quanto aleatória, fui por algumas indicações de amigos. Não tenho noção do que esperar em termos de enredo, mas em estrutura, imagino uma narrativa bonita, feita de frases bem escolhidas, e ainda assim mantendo sua simplicidade. Um tanto de poesia na prosa. Mas daí talvez já seja invencionice minha.

Daytripper – Gabriel Bá e Fábio Moon

Pelo que li de resenhas, o enredo promete uma construção bem original. Além disso, a arte da dupla me agrada muito, e em se tratando de HQs isso é uns 70% pra mim. Por exemplo, Sandman parece ter um enredo interessante e é incrivelmente popular, já cheguei a quase começar a ler – mas não consigo, porque a arte não me agrada. Agora eu só preciso superar o desafio e conseguir encontrar Daytripper para comprar. Isso é sempre um problema pra mim, Kafka de Crumb sabe muito bem (que, aliás, só não coloquei aqui para não ficar repetitiva).

Só cinco porque eu sou nova com isso de metas e se eu me estender é bem capaz de não cumprir. Então só o que realmente está me dando coceira de tanta vontade de ler. Mas aceito sugestões de coração aberto. (e feliz 2012!)