A morte e a morte de Quincas Berro Dágua

Entre os “castelos” e botequins da Bahia, vive/viveu/vivia Quincas Berro Dágua, vagabundo de muitas mortes. Antes dessa vida boêmia, era Joaquim Soares da Cunha, homem de respeito, de família honrada. Mas a morte de Joaquim é só a primeira das mortes, mais algumas ainda estão por vir, não se faz muito consenso de quantas. Aliás, também não há clareza de hora, local ou frase derradeira.

Jorge Amado é um grande contador de histórias. Traz as absurdices da tradição oral para o papel, costura, amarra, redireciona, tira um detalhe, coloca outro e aquele causo que qualquer autor poderia ter escrito, caso estivesse ali na hora da contação, se transforma em obra inigualável.

O cenário, delicioso. Todos os vagabundos da Bahia em suas festas regadas a álcool. Os personagens cativam, principalmente Quincas e seu carpe diem. Seus amigos encantam pela admiração a figura de Quincas e também por suas maluquices inconsequentes.

É leitura rápida e leve, de um ou até dois dias. Rápida, talvez demais: me deixou com vontade de ler mais Jorge Amado. E leve na medida certa, aquele tipo de livro que desenha um sorriso no rosto.

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